I'm sick of feeding my soul

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domingo, 28 de março de 2010

Das kleine Mädchen.

Existia uma pequena garotinha que tinha o costume de fazer todos os dias a mesma coisa, pular as nuvens.Era sagrado, toda tarde lá estava ela a pular junto de um dos seus melhores amigos, o pôr-do-sol.

Depois de pular e se esbanjar em muitas nuvens, a pequena ia descansar na lua, onde ficava a conversar horas e horas com outras amigas, as estrelas.Frequentemente perguntavam o por que da garotinha sempre estar sozinha, e a menina um dia explicou.

Ela nasceu em um canto muito belo, repleto de cores, tinha todos os motivos para ser feliz, mas no entanto não era.Nunca conheceu os pais, e então certo dia decidiu ir a procura deles, ou de alguém que pudesse lhe amar e fazer a garotinha feliz, realizando assim o que ela sempre sonhou.

Mas com o tempo percebeu que as pessoas eram bem diferentes do que ela imaginava;na procura dos pais ou desse alguém viu que muitos dos humanos eram desumanos, cruéis e não se preocupavam com o planeta em que viviam, assim destruindo cada vez mais ele.Logo concluiu que não poderia ser amada por algum deles, já que não conseguem amar nem o próprio planeta em que vivem, e desistiu.

No caminho de volta para o lugar onde nasceu, a garotinha achou um potinho com uma espécie de pó, bem colorido.Resolveu jogar todo ele para o alto, e enquanto o pó caia sobre os seus cabelos, ela pensou em duas coisas: em como seria legal tornar esses desumanos, em humanos de verdade e ter o poder de falar com a natureza.

O pó realizou o segundo pensamento da garotinha, e com isso descobriu o quão mágica a natureza era, decidiu que daquele momento em diante, as árvores, animais, plantas, flores eram seus pais.Terminava de explicar para as estrelas.

E em relação ao primeiro pensamento, bem ...

A pequena garotinha já não é mais tão pequena assim, e o pensamento que fez quando era jovem, ainda não se realizou.

Já faz um bom tempo que isso aconteceu, e ela continua a esperar que esse pensamento se realize.

terça-feira, 9 de março de 2010

O mundo devia, mas não é composto de domingos.

'' Café e jornais devem estar à nossa espera no momento preciso no qual violentamos a ausência do sono e voltamos à tona. Esse milagre doméstico tem de ser. Da área subir uma dissonância festiva de instrumentos de percussão - caçarolas, panelas, frigideiras, cristais - anunciando que a química e a ternura do almoço mais farto e saboroso não foram esquecidas. Jorre a água do tanque e, perto deste, a galinha que vai entrar na faca saia de seu mutismo e cacareje como em domingos de antigamente. Também o canário-belga do vizinho descobrir deslumbrado que faz domingo.
Enquanto tomamos café, lembrar que é dia de um grande jogo de futebol. Vestir um short, zanzar pela casa, lutar no chão com o caçula, receber dele um soco que nos deixe dolorido e orgulhosos. A mulher precisa dizer, fingindo-se muito zangada, que estamos a fazer uma bagunça terrível e somos mais crianças do que as crianças.
Só depois de chatear suficientemente a todos, sair em bando familiar em direção à praia, naturalmente com a barraca mais desbotada e desmilinguida de toda a redondeza.
Se a Aeronáutica não se dispuser esta manhã a divertir a infância com os seus mergulhos acrobáticos, torna-se indispensável a passagem de sócios da Hípica, em corcéis ainda mais kar do que os própios cavaleiros.
Comprar para a meninada tudo que o médico e o regime doméstico desaconselham: sorvetes mil, uvas cristalizadas, pirulios, algodão-doce, refrigerantes, balões em forma de pinguim, macaquinhos de pano, papa-ventos. Fingir-se de distraído no momento em que o terrível caçula, armado, aproximar-se da barraca onde dorme o imenso alemão pra desferir nas costas gordas do tedesco uma vigorosa paulada. A pedagogia recomendada não contrariar demais as crianças.
No instante em que a meninada já começa a encher, a mulher deve resolver ir cuidar do almoço e deixar-nos sós. Notar, portanto, que as moças estão em flor, e o nosso envelhecimento não é uma regra geral. Depois, fechar os olhos, torrar no sol até que a pele adquira uma vida própia, esperar que os insetos da areia nos despertem do meio-sono.
A caminho de casa, é de bom alvitre encontrar, também de calção, um amigo motorizado, que a gente não via há muito tempo. Com ele ir às ostras na Barra da Tijuca, beber chope ou vinho branco.
O banho, o espaçado almoço, o sol transpassando o dia. Desistir à última hora de ver o futebol, pois o nosso time não está em jogo. Ir à casa de um amigo, recusar o uísque que este nos oferece, dizer bobagens, brigar com os filhos dele em várias partidas de pingue-pongue.
Novamente em casa, conversar com a família. Contar uma história meio macabra aos meninos. Enquanto estes são postos em sossego, abrir um livro. Sentir que a noite desceu e as luzes distantas melancolizam. Se a solidão assaltar-nos, subjugá-la; se o sentimento de insegurança chegar, usar o telefone; se for saudade, abrigá-la com reservas; se for a poesia, possuí-la; se for o corvo arranhando o caixilho da janela, gritar-lhe alto e bom som: never more.
Noite pesada. À luz da lâmpada, viajamos. O livro precisa dizer-nos que o mundo está errado, que o mundo devia, mas não é composto de domingos. Então, como uma espada, surgir da nossa felicidade burguesa e particular uma dor viril e irritada, de lado a lado. Para que os dias da semana entrante não nos repartam em uma existência de egoísmos.''


Isso foi uma parte que eu achei interessante do livro chamado: O Balé do Pato. E que decidi colocar aqui.